{"id":216,"date":"2020-09-02T13:56:28","date_gmt":"2020-09-02T17:56:28","guid":{"rendered":"https:\/\/redeecoabms.ufms.br\/?p=216"},"modified":"2020-09-02T13:56:29","modified_gmt":"2020-09-02T17:56:29","slug":"ciencia-a-maior-inimiga-da-industria-de-alimentos-ultraprocessados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/occa.ufms.br\/en\/ciencia-a-maior-inimiga-da-industria-de-alimentos-ultraprocessados\/","title":{"rendered":"Ci\u00eancia: A maior inimiga da ind\u00fastria de alimentos ultraprocessados"},"content":{"rendered":"<h3><em>Tr\u00eas novos estudos engrossam o caldo de evid\u00eancias cient\u00edficas de que o consumo de ultraprocessados est\u00e1 relacionado \u00e0 piora de diversos indicadores de sa\u00fade<\/em><\/h3>\n<p>A pandemia de covid-19 tem levado dor e luto aos quatro cantos do mundo, mas n\u00e3o \u201cs\u00f3\u201d isso. A conviv\u00eancia com a doen\u00e7a ensina importantes li\u00e7\u00f5es todos os dias. Talvez, a mais pertinente delas seja a compreens\u00e3o de que a ci\u00eancia \u00e9 t\u00e3o essencial quanto demorada: entender os problemas e apontar solu\u00e7\u00f5es leva tempo, por\u00e9m \u00e9 o melhor caminho para enfrentar as pe\u00e7as que o mundo nos prega.<\/p>\n<p>Depois de algumas d\u00e9cadas de escrut\u00ednio pela ci\u00eancia, o cigarro passou de\u00a0<a href=\"https:\/\/ojoioeotrigo.com.br\/2020\/07\/industria-do-cigarro-mira-medicos-para-legitimar-novo-produto\/\">companheiro fiel\u00a0<\/a>a inimigo mortal dos humanos. Apesar de ainda haver um grande n\u00famero de fumantes, hoje \u00e9 muito dif\u00edcil encontrar algu\u00e9m que desconhe\u00e7a os malef\u00edcios do tabagismo \u2014 e esse m\u00e9rito \u00e9, em grande parte, da ci\u00eancia.<\/p>\n<p>Quem passa agora pela bancada dos cientistas s\u00e3o os alimentos ultraprocessados, aquelas prepara\u00e7\u00f5es industrializadas ricas em sal, gorduras, a\u00e7\u00facar e aditivos com nomes impronunci\u00e1veis. Esse campo de estudo \u00e9 recente \u2014 o termo \u201cultraprocessado\u201d foi criado h\u00e1 pouco mais de dez anos \u2014 mas o rumo dos salgadinhos, sorvetes, refrigerantes, iogurtes saborizados, bolachas e companhia parece ser semelhante ao do cigarro.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/ojoioeotrigo.com.br\/2019\/08\/inedito-fao-endossa-teoria-que-recomenda-evitar-comida-porcaria\/\">Como j\u00e1 mostramos<\/a>\u00a0no\u00a0<strong><em>Joio<\/em><\/strong>, existe um consenso cient\u00edfico de que os ultraprocessados s\u00e3o danosos \u00e0 sa\u00fade e est\u00e3o diretamente relacionados a uma s\u00e9rie de doen\u00e7as cr\u00f4nicas n\u00e3o transmiss\u00edveis, como diabetes, hipertens\u00e3o, c\u00e2ncer e obesidade. Condi\u00e7\u00f5es que,\u00a0<a href=\"https:\/\/ojoioeotrigo.com.br\/2020\/04\/alimentacao-e-saude-de-brasileiros-elevam-o-risco-da-covid-19\/\">como tamb\u00e9m mostramos<\/a>, agravam seriamente os casos de covid-19.<\/p>\n<p>Neste ano, enquanto o mundo todo observava o avan\u00e7o do novo coronav\u00edrus, tr\u00eas importantes estudos se somaram ao coro de evid\u00eancias que contraindicam o consumo de ultraprocessados. A ci\u00eancia at\u00e9 pode tardar, mas n\u00e3o falha.<\/p>\n<h2>As pesquisas<\/h2>\n<p>Em fevereiro, um\u00a0<a href=\"https:\/\/pubmed.ncbi.nlm.nih.gov\/32053758\/\">artigo<\/a>\u00a0publicado no<em>\u00a0International Journal of Food Sciences and Nutrition<\/em>\u00a0apontou uma rela\u00e7\u00e3o entre o consumo de ultraprocessados e o excesso de peso, hipertens\u00e3o, dislipidemia e s\u00edndrome metab\u00f3lica. Um resultado semelhante ao de\u00a0<a href=\"https:\/\/pubmed.ncbi.nlm.nih.gov\/32792031\/\">outro trabalho<\/a>\u00a0publicado cinco meses depois, no<em>\u00a0British Journal of Nutrition<\/em>, que concluiu que altos n\u00edveis de consumo de ultraprocessados estavam relacionados ao aumento de sobrepeso e obesidade (+39%), circunfer\u00eancia da cintura (+39%), n\u00edveis baixos de colesterol \u201cbom\u201d (+102%) e s\u00edndrome metab\u00f3lica (79%).<\/p>\n<div id=\"single-apoie\" class=\"single-apoie\" data-sr-id=\"2\">\n<h4>Seja a \u00e1gua do nosso feij\u00e3o<\/h4>\n<p>Apoie o \u00fanico projeto brasileiro de jornalismo investigativo em que a alimenta\u00e7\u00e3o nunca sai da pauta. Com R$10 por m\u00eas voc\u00ea j\u00e1 ajuda a separar o joio do trigo.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/ojoioeotrigo.com.br\/contribua\/\">Apoiar\u00a0<i class=\"fas fa-arrow-right ml-2\" aria-hidden=\"true\"><\/i><\/a><\/div>\n<p>Mais recentemente, em agosto, um\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41366-020-00650-z\">estudo<\/a>\u00a0publicado no\u00a0<em>International Journal of Obesity\u00a0<\/em>revelou que pessoas que consomem ultraprocessados regularmente t\u00eam chances 26% maiores de desenvolver sobrepeso e obesidade. No atual contexto de pandemia, esse dado se torna mais alarmante:\u00a0<a href=\"https:\/\/amp.theguardian.com\/world\/2020\/aug\/26\/obesity-increases-risk-of-covid-19-death-by-48-study-finds?CMP=share_btn_tw&amp;__twitter_impression=true\">uma pesquisa<\/a>\u00a0recente da Universidade da Carolina do Norte apontou que pessoas obesas infectadas pelo novo coronav\u00edrus t\u00eam risco 113% maior de serem hospitalizadas, 74% maior de serem admitidas em UTIs e 48% mais chance de morte.<\/p>\n<p>\u00c9 claro que foram publicados mais do que tr\u00eas artigos sobre os efeitos do consumo de ultraprocessados nos \u00faltimos meses. Mas, com a produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica descentralizada e as diversas bases de dados para consulta, \u00e9 muito dif\u00edcil mapear tudo o que \u00e9 publicado. \u00c9 justamente por isso que os tr\u00eas artigos mencionados merecem destaque: todos seguem um modelo chamado de \u201crevis\u00e3o sistem\u00e1tica\u201d.<\/p>\n<p>Esse tipo de artigo tem um grande valor cient\u00edfico porque, como diz o pr\u00f3prio nome, analisa sistematicamente a bibliografia existente. Linhas gerais, os pesquisadores usam uma metodologia r\u00edgida para vasculhar tudo que j\u00e1 foi publicado sobre um tema, mas as revis\u00f5es sistem\u00e1ticas t\u00eam outras vantagens: avaliam e qualificam a metodologia dos estudos, apontam falhas ou lacunas no conhecimento criado e servem como base para tomada de decis\u00f5es por gestores e formuladores de pol\u00edticas p\u00fablicas.<\/p>\n<p>\u201cIsso se reflete nos guias alimentares e outros documentos com recomenda\u00e7\u00f5es sobre alimenta\u00e7\u00e3o e sa\u00fade, em diretrizes e protocolos cl\u00ednicos que guiam orienta\u00e7\u00f5es alimentares em contextos espec\u00edficos e at\u00e9 mesmo na decis\u00e3o sobre quais alimentos devem ser alvo de pol\u00edticas p\u00fablicas\u201d, explica Maria Laura Louzada, professora da Faculdade de Sa\u00fade P\u00fablica da USP e pesquisadora do Nupens (N\u00facleo de Pesquisas Epidemiol\u00f3gicas em Nutri\u00e7\u00e3o e Sa\u00fade P\u00fablica).<\/p>\n<p>Para a pesquisadora, esse tipo de estudo \u00e9 especialmente importante para a ci\u00eancia de alimenta\u00e7\u00e3o e nutri\u00e7\u00e3o, que sofre ataques constantes por parte de grandes corpora\u00e7\u00f5es do setor. \u201cA gente sabe que nem sempre a ind\u00fastria de alimentos confronta as pesquisas com ci\u00eancia\u201d, comenta. \u201cMuitas vezes, s\u00e3o usados mecanismos de poder econ\u00f4mico e pol\u00edtico e at\u00e9 mesmo narrativas que tentam desqualificar de forma injusta pesquisadores ou grupos de pesquisa.\u201d<\/p>\n<p>\u00c9 mais f\u00e1cil para as grandes produtoras de alimentos ultraprocessados desacreditar uma pesquisa espec\u00edfica ou questionar a metodologia usada por um grupo de cientistas \u2014\u00a0<a href=\"https:\/\/ojoioeotrigo.com.br\/2017\/12\/ultra-attack-brazilian-researcher-targets-transnational-food\/\">algo frequente<\/a>, por exemplo, para o Nupens, do qual Maria Laura faz parte. Contestar revis\u00f5es sistem\u00e1ticas \u00e9 mais complicado. Desqualific\u00e1-las significa, em tese, desqualificar toda a ci\u00eancia criada sobre um tema por pesquisadores do mundo todo. A esta altura j\u00e1 sabemos que n\u00e3o existem limites para a\u00a0<a href=\"https:\/\/ojoioeotrigo.com.br\/2020\/03\/posso-emagrecer-no-mcdonalds-afirma-nutricionista-em-evento-da-industria-de-alimentos\/\">cruzada anticient\u00edfica<\/a>\u00a0da ind\u00fastria de alimentos, mas as revis\u00f5es ajudam a proteger o conhecimento dos ataques.<\/p>\n<figure class=\"\"><img decoding=\"async\" class=\"fullwidthimg\" src=\"https:\/\/ojoioeotrigo.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/corpo-up.jpg\" alt=\"\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\"><\/figcaption><\/figure>\n<h2>Fora dos laborat\u00f3rios<\/h2>\n<p>Cresce, de um lado, o corpo de evid\u00eancias cient\u00edficas de que a comida-porcaria \u00e9 prejudicial \u00e0 sa\u00fade. Do outro, cresce o consumo dessse tipo de prepara\u00e7\u00e3o. A \u00faltima\u00a0<a href=\"https:\/\/agenciadenoticias.ibge.gov.br\/agencia-sala-de-imprensa\/2013-agencia-de-noticias\/releases\/28646-pof-2017-2018-brasileiro-ainda-mantem-dieta-a-base-de-arroz-e-feijao-mas-consumo-de-frutas-e-legumes-e-abaixo-do-esperado\">Pesquisa de Or\u00e7amentos Familiares<\/a>\u00a0(POF) do IBGE, referente aos anos de 2017 e 2018, revelou que os alimentos ultraprocessados comp\u00f5em cerca de 20% da disponibilidade cal\u00f3rica di\u00e1ria dos brasileiros. O que mais preocupa \u00e9 a discrep\u00e2ncia geracional dos dados: entre os adolescentes, 27% das calorias prov\u00e9m de ultraprocessados, quase o dobro do valor encontrado na popula\u00e7\u00e3o idosa (15,1%). Os mais jovens tamb\u00e9m consomem nove vezes mais bebidas l\u00e1cteas e vinte vezes mais salgadinhos do que os mais velhos.<\/p>\n<p>Para Maria Laura, o crescimento do consumo de ultraprocessados remonta \u00e0 d\u00e9cada de 1980, com os acordos firmados entre os governos brasileiros e as grandes empresas fabricantes de alimentos. \u201cEssas pol\u00edticas e acordos desregulamentaram a ind\u00fastria, abriram os pa\u00edses ao investimento estrangeiro e permitiram que as transnacionais assumissem as empresas nacionais\u201d, explica. A presen\u00e7a das corpora\u00e7\u00f5es aliment\u00edcias restringiram, segundo ela, a atua\u00e7\u00e3o dos governos para implementar pol\u00edticas p\u00fablicas que desencorajassem o consumo de ultraprocessados. Contudo n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 isso.<\/p>\n<p>O aumento da renda e do poder de compra tornaram os alimentos industrializados mais acess\u00edveis para um contingente populacional cada vez maior \u2014 fator agravado pelo progressivo barateamento dos ultraprocessados. \u201cNos pa\u00edses de renda m\u00e9dia e baixa, a propaganda direta e espec\u00edfica para comunidades de renda mais baixa tamb\u00e9m tem ajudado a acelerar a penetra\u00e7\u00e3o das empresas nos mercados emergentes.\u201d<\/p>\n<p>Novamente, se a sa\u00fade p\u00fablica guiar as decis\u00f5es dos formuladores de pol\u00edticas, o destino dos ultraprocessados deve ser semelhante ao do cigarro. Para a pesquisadora do Nupens, algumas das medidas adotadas para frear o avan\u00e7o do tabagismo tamb\u00e9m deveriam ser empregadas na comida-porcaria. \u201cEssas estrat\u00e9gias incluem, por exemplo, medidas fiscais que aumentem impostos sobre alimentos ultraprocessados e subsidiem a produ\u00e7\u00e3o e a oferta de alimentos in natura ou minimamente processados, a restri\u00e7\u00e3o da publicidade de ultraprocessados, a ado\u00e7\u00e3o de r\u00f3tulos de alimentos mais informativos e com alertas proeminentes, a regula\u00e7\u00e3o da oferta de ultraprocessados em espa\u00e7os institucionais, al\u00e9m de a\u00e7\u00f5es educativas e de comunica\u00e7\u00e3o\u201d, argumenta.<\/p>\n<p>Em pouco mais de uma d\u00e9cada de pesquisa mais intensa, a ci\u00eancia j\u00e1 produziu conhecimento suficiente para contraindicar o consumo de ultraprocessados e comprovar os preju\u00edzos \u00e0 sa\u00fade individual e \u00e0 coletiva. Do outro lado, a ind\u00fastria de alimentos renova os m\u00e9todos e refor\u00e7a estrat\u00e9gias de marketing para garantir novos consumidores. Se depender da dedica\u00e7\u00e3o dos cientistas ao tema, a vida das fabricantes de ultraprocessados deve ficar cada vez mais dif\u00edcil.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Via: <a href=\"https:\/\/ojoioeotrigo.com.br\/2020\/08\/ciencia-a-maior-inimiga-da-industria-de-alimentos-ultraprocessados\/\">O joio e o trigo<\/a>.<a href=\"https:\/\/redeecoabms.ufms.br\/ciencia-a-maior-inimiga-da-industria-de-alimentos-ultraprocessados\/ciencia_-a-maior-inimiga-da-industria-de-alimentos-ultraprocessados\/\" rel=\"attachment wp-att-217\">Ci\u00eancia_ a maior inimiga da ind\u00fastria de alimentos ultraprocessados<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tr\u00eas novos estudos engrossam o caldo de evid\u00eancias cient\u00edficas de que o consumo de ultraprocessados est\u00e1 relacionado \u00e0 piora de diversos indicadores de sa\u00fade A pandemia de covid-19 tem levado dor e luto aos quatro cantos do mundo, mas n\u00e3o \u201cs\u00f3\u201d isso. 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